quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Tu és teu próprio caminho


Seu caminho


Eu sei que há quem não acredite em você.

Há quem olhe para os caminhos que você escolheu
como se fossem erros anunciados.
Quem espere o seu tropeço,
não para lhe oferecer a mão,
mas para sorrir e dizer:
“Eu sabia.”

Há quem espere a sua queda
como se ela pudesse provar
que você nunca foi capaz,
que não tem valor,
que sonhou alto demais.

Porque há quem torça, sim,
para que você caia.

Nem todo olhar é cuidado.
Nem toda proximidade é abrigo.

Há pessoas que só suportam a sua existência
enquanto você cabe
no lugar pequeno
que reservaram para você.

Há também quem coloque outra pessoa
diante de você como medida:

“Veja onde ela chegou.
Veja o que falta em você.”

E, de tanto escutar,
talvez você comece a repetir
essa comparação em silêncio,
usando contra si
a régua que um dia lhe deram.

E, depois de ouvir tantas vezes
“Quem você pensa que é?”,
talvez você comece a se perguntar o mesmo.

Talvez recolha os próprios sonhos,
diminua a própria voz
e chame de excesso
aquilo que, em você,
era apenas desejo de viver.

Mas talvez a pergunta seja outra:

Quem você deixa de ser
toda vez que se diminui
para caber nas expectativas de alguém?

O olhar de quem diminui você
não tem o poder de dizer quem você é.

E, se um dia você cair,
a sua queda não lhes dará razão.

Uma queda não é uma sentença.
Um tropeço não transforma você
naquilo que disseram que seria.

E, quando faltar chão,
talvez uma mão inesperada
encontre a sua.

Porque nem todo amparo vem
de onde aprendemos a esperá-lo.

Às vezes, alguém nos encontra.
Às vezes, no meio do caminho,
somos nós que nos encontramos.

Você não precisa chegar
para provar o seu valor.

Nem transformar o caminho de outra pessoa
em medida para o seu.

Não recue diante da vida
que chama por você.

Os seus passos não pertencem
a quem torce para que eles falhem.

O caminho continua sendo seu.


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